09/04/17 - Crônica - Brasil à venda? - Por Cel. Alberto James D. Paz

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Reflexão sobre a venda de terras na Amazônia e seu impacto na soberania do País.

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09/04/17 - GESPÚBLICA-MA, NEP-MA, São Luís, Maranhão, Brasil

Quando criança, ir à missa aos domingos era parte da minha grade curricular nos confins da Amazônia. No domingo de ramos ia além, era uma festa. Todos os estudantes uniformizados e de palmas na mão. Não era uma palma qualquer, tinha que ser uma palma branca, com suas dobras como origami, na sua maioria de açaí, patauá ou pupunha. Isso era quase uma regra para toda a população que ia à igreja. Sabe o que significa uma palma branca? Cada palmeira só tem uma e ela está no olho. A cada ano a busca por palma branca era cada vez mais difícil. Só muito tempo depois, anos e anos passados, muito longe dali, compreendi a real dimensão daquela inocente cultura e a palavra desastre. Consegui conhecer a Amazônia não só pela minha terra natal, mas permeando seu território, indo de Boa Vista a Cruzeiro do Sul, passando por Porto Velho, Cachimbo, Marabá, até o marco zero no Amapá, sem falar nas terras do Tocantins e do Maranhão. Pude navegar pelo Amazonas e alguns afluentes como o Madeira, Tapajós e Tocantins. Amazônia, quanta riqueza diversificada! Quer acabar com uma palmeira? Arranque o olho. Imagine o avanço das grandes queimadas! Felizmente, sem os rasgos das estradas, esse local da tríplice fronteira ainda não está tomado pela voracidade com que o desmatamento avança pelo Meio Norte e sul da Amazônia. 

Dia 06 de abril 2017, Trump ordena o bombardeio americano a base aérea na Síria. O mundo tem nova manchete e a ela se atrela a nossa mídia: Lava Jato já está mais para novela do escuta, prende, solta, recupera um pouco de dinheiro, mas talvez ainda dê um pouco de $ para a mídia com o esperado depoimento de maio; o assunto das reformas apavoram, mas povo está absorto e assim se vai de manchete em manchete.

E a venda do Brasil? Isso mesmo, a venda do Brasil! Ninguém viu, falou ou comentou. Praticamente nenhuma repercussão, a não ser nos locais específicos para os poucos interessados. Já está na Câmara para votação projeto de lei do (des)governo que libera a compra e arrendamento de terras no País, sem limites! Ah! Sem limites não: uma empresa estrangeira pode comprar até 25% de um município! No entanto, se houver mais de uma empresa da mesma nacionalidade só poderão ficar com 40% do município! Só isso! Imagine esse estrago entreguista na Amazônia, só para citar, municípios como Altamira, Barcelos, Itaituba, no Pará, entre outros. São vários os países no mundo que não têm o pequeno espaço de 25% que o governo coloca à venda!
E nossa mídia onde está?! Pior! E nós, Forças Armadas, onde estamos?! Até quando será mantida a mesma postura no tempo em que a comunicação é o grande cenário das batalhas?

Só espero não ver um dia que a triste estrofe de Vandré passe para o campo das profecias.

Data de Publicação: 
domingo, 9. Abril 2017 - 19:48
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