19/09/17 - Crônica - Aldemir Martins, o amigo e seu Jeep amarelo. (Parte II/II) - Por Adm. Oliveira Filho

Imagens pertencentes ao autor Adm. Oliveira Filho
Bonachão, de modos simples, possuidor de empatia ímpar. Tinha uma gargalhada inconfundível. As conversas eram por demais inteligentes, substanciadas por sua vasta cultura.

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NEP-MA, São Luís, Maranhão, Brasil

Acredito que tenha sido no término dos anos 70 quando fui passar o final de semana com meus pais na casa de veraneio, localizada no povoado da Prainha, Município de Aquiraz – CE. Distante uns 36 km de Fortaleza. Relatei em algumas crônicas, para mim, esse importante tema.

Era o que normalmente eu fazia aos finais de semana com meus pais, irmãos e convidados, durante o período de 1974 a 1984, antes de casar e me mudar para São Luis do Maranhão. Anormal e surpreendente foi o que aconteceu especificamente naquele dito final de semana.

Adentrei pelo deck da piscina, onde meu pai conversava alegremente com um senhor, um pouco mais velho que ele. “Caro Aldemir esse é Oliveirinha, meu primogênito”. Feitos os cumprimentos, joguei minhas tralhas em um canto e de imediato sentei ao lado deles.   

Essa foi a primeira de muitas conversas com Aldemir Martins, pois ele havia acabado de adquirir a casa ao lado da nossa. Éramos então vizinhos de casas sem muros físicos e/ou sociais.

Bonachão, de modos simples, possuidor de empatia ímpar. Tinha uma gargalhada inconfundível. As conversas eram por demais inteligentes, substanciadas por sua vasta cultura. Porém, sem pedantismo ou qualquer tipo de demonstração de superioridade pessoal. Conversar com ele era fazer uma viagem a um mundo conhecido por poucos: a de um artista de artes diversas, principalmente na arte da vida.

Meu elo magnético de empatia com Aldemir era o fato dele, na juventude, ter servido por quatro anos ao Exército Brasileiro, aonde chegou a ser Cabo Pintor. Por suas habilidades plásticas, era instrutor de pintura. Por outro lado, eu fora soldado raso durante o ano de 1976. Iam longe os nossos diálogos sobre a importância do EB em nossas formações pessoais. Ele era dessas pessoas que desde o primeiro encontro, na primeira conversa, sentimos que o conhecemos há muito tempo; desde criancinha.

Ele apareceu certa vez com um JEEP WILLYS para, entre outras coisas, facilitar suas idas à Praia da Prainha nos fins de tarde, horário de chegada das jangadas dos pescadores daquela localidade, dos quais comprava lagosta e peixes pescados há poucas horas. Coisa que paulista só vê em filmes.

Quando ele retornava para São Paulo capital, para sua vida de artista consagrado, de homem do mundo, deixava em nossa responsabilidade o seu Jipão amarelo, que usávamos para passear na vila de pescadores, precisamente no Restaurante do Leôncio, para conversar com meus diletos amigos Célio e Narcélio e, principalmente, para irmos pescar ao longo da orla.

Tenho muitas histórias de nossos encontros com Aldemir. Uma delas aconteceu nas férias do final do ano de 1986, quando cheguei de São Luís – MA e ele já havia chegado de São Paulo com D. Cora, sua esposa. Esse encontro foi ímpar por conta dele ter conhecido meu primeiro filho, David, que na época estava com pouco mais de seis meses de vida. Ele já tinha visto minha Katia grávida no final de 1985, e naquele momento conheceu nosso filhote.

Quando por pura coincidência eu e meu amigo nos deparamos na Alameda Lorena com duas amostras da genialidade de Aldemir Martins, e inadvertidamente me empolguei ao discorrer sobre sua vida e obra, em momento algum desejei parecer melhor ou maior do que realmente sou. Simplesmente não estava preparado para a emoção de relembrar os excelentes e impagáveis momentos que vivi em férias de final de vários anos com o grande ALDEMIR MARTINS.

POR: Adm. JOSÉ PEREIRA DE OLIVEIRA FILHO CRA 0296 MA

Data de Publicação: 
terça-feira, 19. Setembro 2017 - 17:32
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