22/02/18 - Crônica - "Celular no trabalho herói ou vilão?" - Por Adm. Oliveira Filho

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Você sabia que em alguns bancos não permitem que seus gerentes utilizem celulares dentro da agência? A princípio achei despropositada essa diretriz. Mas será mesmo?

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NEP-MA, São Luís, MA, Brasil

Tive a oportunidade de utilizar como meios de comunicação organizacional, entre outros, o rádio mono canal, telex, carta, telegrama, malote, fax, o e-mail de uns vinte anos para cá e, recentemente, o celular.

Era normal e corriqueiro indagarmos se alguém havia recebido e lido um e-mail qualquer, encaminhado por nós. Hoje sim, é usado ao seu principal propósito: ferramenta de trabalho.

Somos responsáveis pela melhor utilização da tecnologia disponível, mas mesmo conscientes disso, somos levados, em maior ou menor grau, a mudar o foco dessa prática.

Em tudo acredito no caminho do meio: no equilíbrio de nossas ações conscientes, buscando obter sempre o melhor nas relações pessoais ou profissionais, e na utilização de ferramentas ou tecnologias, por exemplo. Neste texto focarei exclusivamente o celular e seus aplicativos como ferramenta de trabalho.

Mesmo já tendo meu posicionamento, não pretendo fazer defesa a favor ou contra, mas simplesmente compartilhar experiências que permitam reflexões sobre o tema.

Antes de continuar a leitura, pergunte a si mesmo: “estou tirando o melhor dessa ferramenta ou não? Como estou agindo ajuda ou pode me atrapalhar profissionalmente? Mesmo utilizando celular em todo momento, consigo ter foco e ser produtivo”?

Você sabia que em alguns bancos não permitem que seus gerentes utilizem celulares dentro da agência? A princípio achei despropositada essa diretriz. Mas será mesmo?

Certa vez, quando cheguei a uma empresa para uma conversa com seu líder, a primeira coisa que fiz, depois de cumprimentá-lo, foi desligar meus dois celulares. Ele me olhou e disse que não andava com seu celular na empresa. Se alguém precisasse falar com ele, era preciso ligar para o número fixo e a secretária o localizava e passava a ligação. Seria coincidência ele praticar consigo próprio o mesmo princípio dos bancos para com seus gerentes?

Passamos exatos cinquenta minutos conversando sem sermos interrompidos por ninguém ou por chamadas ou mensagens por celular. Cinquenta minutos de foco no que tínhamos a tratar. Posso afirmar que ele tem muito a fazer, tendo em vista que lidera cinco negócios distintos de um grupo empresarial do Ceará e não precisa, para trabalhar, ter o celular na mão.

Estive em uma barraca de praia da Litorânea, ao encontro de um amigo que estava de passagem na Ilha. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada, solicitei uma água de coco e fiquei observando o movimento. Mesmo com um bom movimento de clientes constatei rapidamente a utilização constante de celular pelas garçonetes.

Ao término da conversa com meu conhecido visitante fui procurar o proprietário e gerente da barraca, amigo meu das antigas. Relatei o observado e para a minha surpresa era de conhecimento dele, e pior, ele também tinha conhecimento que boa parte das garçonetes estavam utilizando o celular para burlar os controles internos, ou seja, estavam roubando.

Fui convidado recentemente a fazer uma consultoria fora de Fortaleza, que seria por tempo indeterminado. Chegando à cidade, fui acomodado em um hotel, onde no primeiro dia de trabalho deixei, por puro esquecimento, meus dois celulares (um número do Maranhão e um do Ceará). Ao retornar tarde da noite ao dito hotel, liguei os celulares. Eram tantas mensagens, e eu estava tão exausto, que voltei a desligar os mesmos. Minha esposa e filhos sabiam onde eu me encontrava e o que estava fazendo, tinham os contatos da empresa e do hotel, então fiquei exatos cinco dias com eles desligados, exclusivamente focado no que eu tinha que fazer. Realizei o combinado antes do tempo previsto, retornei a Fortaleza e religuei os celulares.

Junte a estes os seus próprios exemplos e reflita se a forma que você está utilizando seu celular e aplicativos está agregando ou não ao que você tem a entregar no fim do dia.

Por: Adm. JOSÉ PEREIRA DE OLIVEIRA FILHO CRA 0296

Data de Publicação: 
quinta-feira, 22. Fevereiro 2018 - 22:39
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